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# 127 Podcast
Sueli Machado
Qual é o Objetivo das Encarnações?
Qual é o verdadeiro propósito de estarmos encarnados na matéria e enfrentarmos tantas vicissitudes no cotidiano?
Nesta reflexão profunda e reconfortante, a palestrante Sueli convida-nos a compreender o sentido da vida à luz das questões fundamentais do Livro dos Espíritos. Desmistificando a evolução e o planejamento no Além, a palestra demonstra que fomos criados simples e ignorantes, e que o livre-arbítrio é a ferramenta divina que nos permite planejar o género de provas e limites físicos necessários ao nosso adiantamento moral.
Unindo a sabedoria clássica de Jesus ao Estoicismo prático de Epicteto, o estudo resgata a importância do foco no presente e do fim da culpa para o progresso da alma. Enriquecida com as pesquisas científicas de regressão da Dra. Helen Wambach sobre a Regra Áurea e coroada com a milenar filosofia japonesa do Kintsugi, esta mensagem funciona como um autêntico convite para "namorar a vida".
Ensinando-nos a rejeitar a moderna cultura do descarte e a colar os fragmentos da nossa história com o ouro precioso da superação espiritual e do amor universal.
Seção 01: Finalidade da Encarnação do Espíritos — (132-LE)
Seção 02: A Escolha do Corpo e o Planejamento Espiritual — (334 e 335-LE)
Seção 03: O Instante Solene do Renascimento e a Escravidão da Carne — (339-LE)
Seção 04: O Gênero das Provas, o Livre-Arbítrio e a Filosofia da Aceitação — (259-LE)
Seção 05: A Escolha das Provas Penosas e a Visão do Espírito Liberto (266 - LE)
Seção 06:O Foco no Presente, a Ação Voluntária e a Extinção da Culpa - em Epicteto
Seção 07: A Ciência da Reencarnação e os Objetivos da Alma na Pesquisa da Dra. Helen Wambach
Seção 08: A Filosofia do Kintsugi e a Valorização das Cicatrizes da Alma
Sueli Machado
Seção 01: Finalidade da Encarnação do Espíritos — (132-LE)
132.LE - Qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos?
– Deus a impõe com o fim de levá-los à perfeição:
• para uns, é uma expiação
• para outros, uma missão.
Mas, para chegar a essa perfeição, eles devem sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea:
nisto é que está a expiação.
A encarnação tem ainda outra finalidade, que é a de pôr o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da criação.
Diante das dores e desafios da vida na Terra, a nossa alma frequentemente se pergunta o motivo de tanto esforço. A resposta está no amor de Deus, que não nos criou prontos, mas nos convida a sermos co-criadores ativos do universo.
Passar pelas vicissitudes da matéria — seja como expiação para corrigir o passado, ou como missão para edificar o bem — é o caminho indispensável para burilar as nossas capacidades intelectuais e morais. A encarnação é a escola justa onde transformamos o suor do dia a dia em progresso espiritual eterno, deixando para trás o desânimo e assumindo o papel que nos cabe na grande obra da criação divina.
Seção 02: A Escolha do Corpo e o Planejamento Espiritual — (334 e 335-LE)
334.LE - A união da alma com este ou aquele corpo está predestinada, ou no último momento é que se faz a escolha?
– O Espírito é sempre designado com antecedência. Escolhendo a prova que deseja sofrer, o Espírito pede para se encarnar; Deus, que tudo sabe e tudo vê, sabe e vê com antecedência que tal alma se unirá a tal corpo.
335.LE - O Espírito tem o direito de escolher o corpo ou somente o gênero de vida que lhe deve servir de prova?
– Ele pode escolher também o corpo, porque as imperfeições do corpo são provas que o ajudam no seu adiantamento, se ele vencer os obstáculos encontrados; mas a escolha nem sempre depende dele, que pode pedi-la.
Muitas vezes, as limitações ou anomalias físicas que trazemos no corpo são vistas pelo mundo como um castigo ou um erro da natureza. A Doutrina Espírita deita por terra essa ilusão ao revelar que o nascimento na carne é um processo minuciosamente planejado.
Antes de reencarnar, o próprio Espírito, ciente das suas necessidades de resgate, pede a oportunidade bendita do retorno e pode sugerir a forma física que o ajudará a vencer os antigos orgulhos da alma. As aparentes imperfeições da matéria são, na verdade, ferramentas sagradas de adiantamento moral.
Não há ninguém no jardim errado: Deus adapta a veste carnal exata para que o viajor supere os obstáculos e floresça rumo à luz.
Seção 03: O Instante Solene do Renascimento e a Escravidão da Carne — (339-LE)
339.LE - O momento da encarnação é seguido de perturbação semelhante ao que se verifica na desencarnação?
–Muito maior, e sobretudo mais longa.
Na morte, o Espírito sai da escravidão; no nascimento, entra nela.
340.LE - O instante em que o Espírito deve encarnar-se é para ele um instante solene? Cumpre ele esse ato como coisa grave e importante?
– É como um viajante que embarca para uma travessia perigosa e não sabe se vai encontrar a morte nas vagas que afronta.
Se a morte do corpo físico assusta a Humanidade, o Espiritismo revela que para o Espírito a verdadeira provação começa no berço.
Reencarnar é aceitar um exílio temporário e voluntário, um mergulho em que a alma livre se submete à escravidão dos sentidos densos da matéria.
Esse retorno é um instante solene e grave, semelhante ao viajor que embarca numa travessia perigosa por mar aberto, sem garantias de que não sucumbirá às tempestades. No entanto, o choro do recém-nascido e o início dessa jornada na carne não representam um castigo, mas sim o início de uma abençoada oportunidade. Deus permite o recomeço porque confia na capacidade do viajor de vencer as ondas do mundo e alcançar o porto seguro da evolução moral.
Seção 04: O Gênero das Provas, o Livre-Arbítrio e a Filosofia da Aceitação — (259-LE)
259.LE - Se o Espírito escolhe o gênero de provas que deve sofrer, todas as tribulações da vida foram previstas e escolhidas por nós?
– Todas, não é bem o termo, pois não se pode dizer que escolhestes e previstes tudo o que vos acontece no mundo, até as menores coisas. Escolhestes o gênero de provas; os detalhes são consequências da posição escolhida, e frequentemente de vossas próprias ações.
Os detalhes nascem das circunstâncias e da força das coisas.
A maior parte da nossa angústia nasce da tentativa ilusória de controlar todos os detalhes do cotidiano.
A Doutrina Espírita, em perfeita harmonia com a sabedoria milenar, esclarece que escolhemos o gênero das nossas provações — as grandes diretrizes úteis à nossa purificação — mas os detalhes diários nascem das circunstâncias do mundo.
Diante do que não podemos mudar, a revolta apenas duplica a nossa dor.
Seguir o exemplo de profunda calma que Jesus demonstrou perante as tempestades e adotar a máxima de Epicteto nos convida a focar unicamente nas nossas reações morais. Quando aceitamos o destino com inteligência e aplicamos as nossas forças apenas onde podemos agir no bem, a nossa cruz ganha o peso ideal e o coração encontra a verdadeira serenidade.
Seção 05: A Escolha das Provas Penosas e a Visão do Espírito Liberto (266 - LE)
266.LE - Não parece natural que os Espíritos escolham as provas menos penosas?
– Para vós, sim; para o Espírito, não.
Quando ele está liberto da matéria, cessa a ilusão, e a sua maneira de pensar é diferente.
Comentário de Kardec:
“O homem, submetido na Terra à influência das ideias carnais, só vê nas suas provas o lado penoso.
É por isso que lhe parece natural escolher as que, do seu ponto de vista, podem subsistir com os prazeres materiais. Mas na vida espiritual ele compara os prazeres fugitivos e grosseiros com a felicidade inalterável que entrevê, e então que lhe importam alguns sofrimentos passageiros(...)”
“Se na vida terrena escolhemos muitas vezes as provas mais difíceis, com vistas a um fim mais elevado, por que o Espírito, que vê mais longe, e para quem a vida do corpo é apenas um incidente fugitivo, não escolherá uma existência penosa e laboriosa, se ela o deve conduzir a uma felicidade eterna? (...)”
Quando estamos presos às ilusões da matéria, avaliamos a vida apenas pelo tamanho do nosso conforto imediato.
No entanto, o Espiritismo ensina-nos a olhar com os olhos da alma, que enxerga mais longe.
Assim como um trabalhador no mundo aceita fazer um serão exaustivo e abrir mão do descanso temporário sabendo que o fruto desse suor vai quitar as suas dívidas e trazer estabilidade, o Espírito escolhe existências laboriosas e de pesadas provações no Além.
Para quem tem a eternidade pela frente, cem anos na Terra não passam de um piscar de olhos. Aceitar o sacrifício do agora com o coração pacificado é a decisão consciente da alma que já compreendeu que as dores passageiras da carne são o passaporte legítimo para a felicidade inalterável.
Seção 06: O Foco no Presente, a Ação Voluntária e a Extinção da Culpa - em Epicteto
“Para vivermos uma boa vida, devemos focar no que controlamos e aceitar todo o restante que acontecer.
Não podemos mudar o que já ocorreu, mas podemos escolher o que fazer com as circunstâncias em que nos encontramos”.
Epicteto
“Faça o melhor com o que estiver em seu poder, e apenas aceite o que vier a acontecer. Algumas coisas estão ao nosso alcance e outras coisas não estão.”
Epicteto
Em nosso poder estão nossas escolhas voluntárias, nossas ações e julgamentos.
“A extinção da culpa marca o início do progresso moral”
Epicteto
A verdadeira maturidade do Espírito começa quando paramos de gastar energia com o que já passou ou com o que foge ao nosso controle. Epicteto ensina-nos que a nossa única propriedade real reside nas nossas escolhas voluntárias, nos nossos pensamentos e na nossa forma de reagir perante o mundo.
Viver bem e em paz exige "namorar a vida", aceitando as circunstâncias atuais com paciência e cuidando do presente com o zelo de quem ama a existência.
Quando extinguimos a culpa — tanto a autocondenação quanto a mania de culpar o próximo pelas nossas dores —, damos o passo definitivo na evolução moral. Deixamos de ser vítimas do destino para nos tornarmos os escultores conscientes do nosso próprio porvir luminoso.
Seção 07: A Ciência da Reencarnação e os Objetivos da Alma na Pesquisa da Dra. Helen Wambach
No livro “Vida Antes da Vida” a Dra. Helen Wambach, psicóloga norte-americana, reporta-se à experiência de regressão de memória que fez com que centenas de voluntários, levando-os ao limiar da presente existência. Dentre várias perguntas, uma fundamental:
Com que objetivo você reencarnou?
• 25% reencarnaram para desenvolver experiências de aprendizado sobre si mesmos e sobre a vida
• 18% reencarnaram para se harmonizarem com os seus familiares
• 18% reencarnaram para cultivar os valores do amor, aprendendo a se doar em favor dos semelhantes
• 27% reencarnaram para crescer espiritualmente, vinculando-se à orientação das pessoas
Os restantes 12% tinham objetivos variados:
- reencarnei para vencer o medo...
- reencarnei para livrar-me do materialismo...
- reencarnei para cultivar a humildade...
- reencarnei para exercitar uma liderança construtiva...
- reencarnei para treinar o contato com os irmãos do espaço...
Diz a psicóloga:
Em síntese, as razões para as pessoas escolherem esta vida na Terra não foram, especificamente, com vistas ao desenvolvimento de seus próprios talentos.
Ao invés disso, os objetivos consistiam em aprender a se relacionarem com os outros e a amarem sem exigências ou possessividade.
Outro aspecto muito interessante:
• Quase todos traziam uma orientação básica para que pudessem cumprir sua programação:
fazer ao semelhante o bem que gostariam de receber dele.
A regra áurea de Jesus surge como a suprema orientação do espírito ao reencarnar:
Reencarnamos para aprender a amar, para elevar os nossos instintos e transformá-los nesse sentimento por excelência.
Muitas vezes, a mente humana acredita que o sucesso de uma encarnação se mede pelas conquistas materiais, títulos ou talentos aplaudidos pelo mundo.
A ciência, através das rigorosas pesquisas de regressão da Dra. Helen Wambach, desmistifica essa ilusão e confirma as bases da Doutrina Espírita. Os dados comprovam de forma clara que as almas escolhem o retorno à Terra com o firme propósito de resgatar afetos, vencer medos íntimos e aprender a amar sem o peso da possessividade.
No limiar do renascimento, a diretriz que une todos os Espíritos é a Regra Áurea de Jesus: fazer ao próximo o bem que desejamos receber. Reencarnar é a oportunidade bendita de educar os instintos primitivos, transformando a nossa convivência diária num laboratório ativo de fraternidade e amor universal.
Seção 08: A Filosofia do Kintsugi e a Valorização das Cicatrizes da Alma
O Kintsugi é uma técnica artística japonesa com base em uma filosofia ancestral.
O significado em português dessa expressão é “emenda de ouro” e expressa exatamente o objetivo dessa técnica, juntar peças de cerâmicas quebradas com pó de ouro. A ideia é que, ao restaurar algo danificado abraçando as imperfeições, você cria uma estrutura ainda mais forte e bonita.
É uma extensão do estilo Wabi-sabi, uma expressão artística oriunda do Japão que tem como princípio a valorização da beleza na transitoriedade e autenticidade das coisas.
Atravessamos uma época dolorosa de "Descarte" e "Cancelamentos", onde o "mundo" nos induz a abandonar afeições, compromissos e até a própria existência diante das primeiras fraturas.
A Doutrina Espírita, em profunda sintonia com a sensibilidade ancestral do Kintsugi, lembra-nos de que nenhuma alma foi feita para ser descartada. Quando somos feridos pelas tempestades do mundo — seja por uma perda grave, uma enfermidade ou pela solidão —, o amor de Deus oferece-nos os recursos para recolher os nossos fragmentos.
"Emendar" os pedaços da nossa história com o ouro do aprendizado e do perdão não esconde as nossas imperfeições, mas celebra as nossas superações.
Cada cicatriz moral guardada no peito é a marca brilhante de uma vitória espiritual, provando que a dor, aceita com calma, reconstrói o ser, tornando-nos muito mais fortes, autênticos e belos para a eternidade.