.png)
# 136 Podcast
Valéria Cristini
Lei de Destruição
Num momento em que o planeta Terra enfrenta profundas turbulências, conflitos globais e uma visível transição de valores, o estudo da "Lei de Destruição" torna-se um farol indispensável de lucidez e consolo espiritual. Baseando-se na Parte Terceira de O Livro dos Espíritos, a nossa irmã Valéria traz uma reflexão corajosa sobre um dos temas mais incompreendidos da vida.
Por que é que a Destruição existe na natureza? Por que enfrentamos flagelos destruidores e catástrofes? Nesta palestra profunda, compreendemos que o que aos olhos do Ego parece o fim, sob a ótica da inteligência divina é apenas o meio de acelerar a transformação e o progresso dos seres. A destruição física é o casulo que se rompe para libertar o espírito imortal rumo à regeneração.
Venha entender como a verdadeira coragem, a solidariedade nas crises e o desapego do materialismo constituem os pilares para vencermos as dores atuais e abraçarmos o amanhecer de um novo tempo.
"A destruição não é mais do que uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos." (Questão 728 de O Livro dos Espíritos)
00:00 — Título/Data/Palestrante
00:08 — Prece
00:59 — Palestra
01:16 — A Destruição como Lei
06:35 — LE-728
16:15 — LE-729
42:15 — LE-737
43:30 — LE-738
48:11 — LE-740
52:17 — LE-756
55:33 — LE-745
Valéria Cristini
LE - 728 a 765 | O Despertar Pela Dor: A Lei de Destruição Frente ao Caos Moderno
O Sentido Espiritual das Transições, os Choques Globais e a Urgência da Renovação Íntima
A Lei de Destruição e as Suas Ramificações:
(Para ler o capítulo completo e aprofundar cada questão na raiz, aceda à Kardecpedia)
Destruição necessária e destruição abusiva
Flagelos destruidores
Guerras
Assassínio
Crueldade
Duelo
Pena de morte
Olhe ao seu redor e veja como este capítulo — escrito no século XIX — é um espelho nu e cru do exato minuto que a humanidade vive hoje. Nós estamos imersos numa Crise Mundial profunda: guerras insanas espalhadas pelo globo, sistemas financeiros abstratos à beira do colapso e uma escassez energética que ameaça as facilidades do nosso quotidiano. O homem moderno olha para este cenário e entra em pânico, julgando que é o fim do mundo.
Mas a vanguarda da consciência ensina-nos uma perspetiva diferente: o que estamos a colher não é um castigo divino, é a falência inevitável do materialismo e da nossa arrogância. Quando a humanidade coloca o Ego no trono, destrói a natureza e passa a adorar o dinheiro fictício sem o devido trabalho libertador, a vida aciona a Lei de Destruição para reajustar a matéria. As crises, as subversões e as dores coletivas funcionam como uma tempestade passageira que limpa a atmosfera do planeta, forçando o homem a perceber a sua fraqueza perante as leis do Universo. Toda a destruição física é apenas o casulo a romper-se para que o Espírito renasça mais humilde, mais solidário e mais perto da Essência Uma. A queda do velho mundo é o berço da Nova Era!
O Livro dos Espíritos - Parte terceira — Das leis morais - Capítulo VI — 5. Lei de destruição - Destruição necessária e destruição abusiva - 728
A Morte Não Existe: O Envoltório Cai, a Vida Continua
O Duplo Objetivo do Equilíbrio Natural e a Eternidade do Princípio Inteligente
(veja na Kardecpedia)
728. É lei da natureza a destruição?
“Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar; porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.”
a) — O instinto de destruição teria, desse modo, sido dado aos seres vivos por desígnios providenciais?
“As criaturas são instrumentos de que Deus se serve para chegar aos fins que objetiva. Para se alimentarem, os seres vivos reciprocamente se destroem, destruição esta que obedece a um duplo fim: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e utilização dos despojos do envoltório exterior que sofre a destruição.
Sempre, porém, é apenas esse envoltório que é destruído; e ele é simples acessório, não a parte essencial do ser vivo. A parte essencial é o princípio inteligente, que não se pode destruir e se elabora nas metamorfoses diversas por que passa.”
Pense bem nisto; para acalmar as angústias do nosso coração: a destruição material é uma lei mecânica do Universo para garantir que a vida não fique estagnada. O que chamamos de destruição ou morte é, na verdade, uma reciclagem necessária.
O Dr. Nilton falou-nos do pânico que assola a sociedade moderna (Palestra 135), e a Valéria, nesta Palesta, explicou a causa: as pessoas piram na ansiedade porque vivem agarradas ao "envoltório", à casca física, aos bens materiais e ao estatuto. Acreditam que quando o corpo morre ou o dinheiro some, tudo acaba. Mas a vanguarda espiritual dá-nos um choque de lucidez: o envoltório é mero acessório. A nossa parte essencial — o princípio inteligente, a nossa consciência profunda — é indestrutível.
Ela elabora-se e cresce através das metamorfoses da vida. Quando a crise destrói as ilusões mundanas, ela não está a destruir o ser; está apenas a libertar o princípio inteligente do casulo para que ele aprenda a voar com as asas da humildade e do amor. Nada se perde, tudo se transforma em luz!
O Livro dos Espíritos - Parte terceira — Das leis morais - Capítulo VI — 5. Lei de destruição - Destruição necessária e destruição abusiva - 729 (veja na Kardecpedia)
O Escudo da Conservação: Por Que Temos Medo de Morrer?
O Tempo Sagrado do Aprendizado e o Perigo das Rupturas Antecipadas
729. Se a regeneração dos seres faz necessária a destruição, por que os cerca a natureza de meios de preservação e conservação?
“A fim de que a destruição não se dê antes do tempo. Toda destruição antecipada obsta ao desenvolvimento do princípio inteligente. Por isso foi que Deus fez que cada ser experimentasse a necessidade de viver e de se reproduzir.”
Pense bem nisto: se a destruição faz parte da renovação, por que é que trazemos em nosso íntimo um instinto tão forte de nos mantermos vivos? A resposta é pura sabedoria divina. Nós precisamos de tempo na matéria para que a nossa consciência (o princípio inteligente) se elabore e amadureça.
Toda a destruição antes do tempo — provocada por vícios, abusos ou pela negligência com a saúde — atrasa a nossa evolução. O instinto de conservação é o despertador que nos mantém firmes na escola da Terra, garantindo que aproveitemos cada minuto, cada lavagem de panela e cada lide do lar, nos trabalhos da vida, sejam para o nosso próprio despertamento espiritual!
O Livro dos Espíritos - Parte terceira — Das leis morais - Capítulo VI — 5. Lei de destruição - Flagelos Destruidores - 737 (veja a Kardecpedia)
O Choque dos Flagelos: Por Que a Dor Coletiva nos Altera?
A Pedagogia Divina nas Grandes Catástrofes e o Advento de Uma Nova Ordem de Coisas
737. Com que fim fere Deus a humanidade por meio de flagelos destruidores?
“Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam.
Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.”
Aqui nós tiramos o véu do vitimismo.
O ser humano olha para uma grande catástrofe ou para um colapso coletivo e pergunta: "Onde está Deus?".
A vanguarda espiritual responde que os flagelos são aceleradores do progresso. Se dependesse do comodismo do nosso Ego, nós levaríamos séculos para mudar um centímetro no orgulho. O choque coletivo sacode as estruturas da Terra de Superfície, destrói o orgulho das nações de poder mundano e faz a humanidade realizar em poucos anos uma transformação moral que, em tempos de calmaria, demoraria séculos. É a cirurgia de emergência do Universo para o nascimento da Nova Era!
O Livro dos Espíritos - Parte terceira — Das leis morais - Capítulo VI — 5. Lei de destruição - Flagelos Destruidores - 738 (veja a Kardecpedia)
O Orgulho Ferido: Quando as Certezas do Mundo Desabam
A Insuficiência das Ilusões Humanas e o Chamado à Humildade Real
738. Para conseguir a melhora da humanidade não podia Deus empregar outros meios, que não os flagelos destruidores?
“Sim, e os emprega todos os dias, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza.”
Olhe que lição digna e amorosa! Deus dá-nos todos os dias a inteligência, o Evangelho e os princípios naturais para progredirmos sem dor. Mas o que é que o ser humano faz?
Ignora e despreza. Ele envaidece-se com a sua tecnologia, com o dinheiro acumulado e com os seus nichos de facilidade, achando que governa o Universo. Quando a crise financeira estoura ou o sistema energético vacila, o homem é forçado a sentir a sua profunda fraqueza. Os flagelos não são vinganças; são lições de modéstia que partem a carcaça do nosso orgulho para que a criatura se lembre do seu Criador e reconheça que a verdadeira segurança não está nas ilusões da matéria, mas sim nas virtudes d'alma.
O Livro dos Espíritos - Parte terceira — Das leis morais - Capítulo VI — 5. Lei de destruição - Flagelos Destruidores - 740 (veja a Kardecpedia)
O Teste da Abnegação: As Crises como Oportunidades de Ouro
A Inteligência e o Amor em Ação Contra as Amarras do Egoísmo Coletivo
740. Não serão os flagelos, igualmente, provas morais para o homem, provas que os põem a braços com as mais aflitivas necessidades?
“Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus, e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se não estiver dominado pelo egoísmo.”
É aqui que o nosso trabalho voluntário encontra a sua certidão de casamento com a lei natural.
Os flagelos e as grandes dificuldades existenciais são, no fundo, exames de fim de ano da nossa moralidade. É na hora do aperto, no meio do caos ou quando a escassez bate à porta, que o ser humano tem a oportunidade de demonstrar paciência, resignação e, acima de tudo, o amor ao próximo. É o momento de romper a hipnose do "salve-se quem puder" e estender a mão.
As crises são os maiores laboratórios de solidariedade da Terra. Quem divide o pão na escassez vence o egoísmo e carimba o passaporte para o mundo regenerado!
O Livro dos Espíritos Parte terceira — Das leis morais Capítulo VI — 5. Lei de destruição - Crueldade - 756 (veja a Kardecpedia)
O Grande Expurgo da Terra: A Separação do Joio e do Trigo
O Fim do Instinto do Mal, as Múltiplas Gerações de Aprendizado e o Renascimento em Novos Envoltórios
756. A sociedade dos homens de bem se verá algum dia expurgada dos seres malfazejos?
“A humanidade progride. Esses homens, em quem o instinto do mal domina e que se acham deslocados entre pessoas de bem, desaparecerão gradualmente, como o mau grão se separa do bom, quando este é joeirado. Mas desaparecerão para renascer sob outros envoltórios.
Como então terão mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal. Tens disso um exemplo nas plantas e nos animais que o homem há conseguido aperfeiçoar, desenvolvendo neles qualidades novas. Pois bem: só ao cabo de muitas gerações o desenvolvimento se torna completo. É a imagem das diversas existências do homem.”
Às vezes, ao depararmo-nos com a má vontade nos serviços públicos, com a corrupção ou com a crueldade das guerras, e o nosso coração desanima e pergunta se este mundo alguma vez terá jeito? A vanguarda dos Espíritos garante-nos que Sim! A Terra está a passar por um processo de joeiramento, uma limpeza profunda e invisível.
Aqueles que insistem em governar pelo Ego, que maltratam o público, que promovem a barbárie e que se recusam a praticar o princípio natural do servir, vão simplesmente perder o direito de reencarnar aqui. Eles tornaram-se "deslocados" na vibração da Nova Era.
Mas repare na misericórdia do Criador: eles não são destruídos para sempre, pois a Essência Una é puro amor. Eles apenas mudam de envoltório e de morada; vão renascer em mundos mais atrasados, onde a dureza da vida os obrigará a valorizar a fraternidade.
O mal na Terra tem os dias contados. Cada injustiça que testemunhamos hoje é apenas o último suspiro de uma era de egoísmo que está a desabar para dar lugar ao triunfo definitivo do bem comum!
O Livro dos Espíritos - Parte terceira — Das leis morais - Capítulo VI — 5. Lei de destruição - Guerras - 745 (veja a Kardecpedia)
A Máscara da Ambição: O Julgamento Invisível dos Mentores da Dor
A Responsabilidade Espiritual dos que Tecem as Crises e a Longa Expiação dos Crimes Ocultos
745. Que se deve pensar daquele que suscita a guerra para proveito seu?
“Grande culpado é esse e muitas existências lhe serão necessárias para expiar todos os assassínios de que haja sido causa, porquanto responderá por todos os homens cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição.”
Podemos olhar bem nos olhos da realidade atual e sentir íntimamente o peso absoluto desta profecia natural!
O mundo hoje assiste, perplexo, a conflitos armados e a colapsos financeiros orquestrados por homens frios, trancados em gabinetes luxuosos, que manipulam as massas e criam alarmes falsos de medo para lucrar com a desgraça alheia. Eles julgam-se intocáveis atrás dos seus ecrãs e da sua riqueza fictícia.
Mas a vanguarda consciencial arranca-lhes a máscara e mostra que o Universo tem leis imutáveis de ação e reação. Ninguém engana a própria consciência! Aquele que suscita a guerra, que fomenta a violência ou que lucra com a opressão dos povos para satisfazer a sua ambição egoísta, está a assinar um contrato com o sofrimento expiatório por séculos a fio. Eles responderão por cada gota de sangue derramada, por cada família destruída e por cada alma traumatizada no plano físico.
Muitas e dolorosas existências, em corpos e situações de profunda provação, serão necessárias para limpar o karma desses iludidos silenciosos. Enquanto celebram o lucro e o poder efêmero na matéria, o destino constrói o futuro das suas próprias almas: O dinheiro fictício vai virar pó, as indústrias do orgulho vão desabar, mas a conta do Espírito será paga até ao último centavo. O bem triunfará e a Nova Era expurgará do Orbe a ganância que cega a humanidade!