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# 45 Podcast

Sueli Machado

A Lei Divina ou Natural 2

O Centro Espírita Friburguense apresenta o Episódio #45 do Podcast, com a professora Sueli Machado dando sequência ao estudo detalhado sobre A Lei Divina ou Natural (extraída do Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos). 


Com uma linguagem afetiva e rica em análises profundas, a palestra convida-nos a compreender o equilíbrio moral e físico que rege o Universo, destacando o papel fundamental da ciência convencional no estudo da matéria bruta e o dever do homem de bem no estudo e na prática das leis da alma. 


Sueli desconstrói a ilusão do acaso na criação, aborda a necessidade lógica da reencarnação para o progresso contínuo e resgata as belas reflexões de Voltaire sobre a imperiosa necessidade de reconhecer uma Inteligência Suprema. 


Um convite essencial para expandir o autoconhecimento, a ética e a convivência fraterna através das Leis Morais. 

00:55 — Seção 01: Caracteres da Lei Natural

42:38 — Seção 02: Conhecimento da Lei Natural

Sueli Machado

Seção 01: O Livro dos Espíritos - Parte terceira — Das leis morais - Capítulo I — Da lei divina ou natural - Caracteres da lei Natural - (se desejar, veja na Kardcpédia)

Caracteres da lei natural


614. Que se deve entender por lei natural?

“A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer, e ele só é infeliz quando dela se afasta.”


615. É eterna a lei de Deus?

“Eterna e imutável como o próprio Deus.”


616. Será possível que Deus em certa época haja prescrito aos homens o que noutra época lhes proibiu?

“Deus não se engana. Os homens é que são obrigados a modificar suas leis, por serem imperfeitas. As de Deus, essas são perfeitas. A harmonia que reina no universo material, como no universo moral, se funda em leis estabelecidas por Deus desde toda a eternidade.”


617. As leis divinas, que é o que compreendem no seu âmbito? Concernem a alguma outra coisa, que não somente ao procedimento moral?

“Todas as leis da natureza são leis divinas, pois que Deus é o autor de tudo. O cientista estuda as leis da matéria, o homem de bemestuda e pratica as da alma.”


617a - Dado é ao homem aprofundar umas e outras?

“É, mas uma única existência não lhe basta para isso.”

Efetivamente, que são alguns anos para a aquisição de tudo o de que precisa o ser, a fim de se considerar perfeito, ainda que se pense apenas na distância que vai do selvagem ao homem civilizado? Insuficiente seria, para tanto, a existência mais longa possível. Ainda com mais forte razão o será quando curta, como é para a maior parte dos homens.

Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da Ciência.

As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes.Contêm as regras da vida do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais.


618. São as mesmas, para todos os mundos, as leis divinas?

“A razão está a dizer que devem ser apropriadas à natureza de cada mundo e adequadas ao grau de progresso dos seres que os habitam.”

Nesta primeira seção, a professora Sueli Machado aprofunda as características primordiais da Lei Divina, demonstrando que ela abrange de forma perfeita tanto as leis físicas quanto as morais, já que Deus é o autor de tudo. (⁠3:00) Enquanto o sábio ou cientista se dedica a desvendar os mecanismos da matéria bruta e inorgânica (como a lei da gravidade), o homem de bem foca-se em estudar e exercitar as regras que governam a alma. (⁠3:09) Sueli reflete que, por ser o Universo uma obra perfeitamente planejada e calculada por leis matemáticas eternas, a ideia do acaso torna-se cientificamente impossível, comparando a criação a um relógio perfeito que exige a existência de um relojoeiro. (⁠4:24) Como uma única existência física na Terra é curta e insuficiente para que o espírito assimile toda essa bagagem moral e científica, o mecanismo da reencarnação surge como a expressão máxima da justiça e da oportunidade de progresso gradual para cada um de nós. (⁠6:35)

Seção 02: O Livro dos Espíritos - Parte terceira — Das leis morais - Capítulo I — Da lei divina ou natural - Conhecimento da Lei Natural - (se desejar, veja na Kardcpédia)​

Conhecimento da Lei Natural


619. A todos os homens facultou Deus os meios de conhecerem sua lei?

“Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem e os que se decidem a investigá-la são os que melhor a compreendem. Todos, entretanto, a compreenderão um dia, porquanto forçoso é que o progresso se efetue.”


A justiça das diversas encarnações do homem é uma consequência desse princípio, visto que em cada nova existência sua inteligência se acha mais desenvolvida, e ele compreende melhor o que é bem e o que é mal. Se numa só existência tudo lhe devesse ficar ultimado, qual seria a sorte de tantos milhões de seres que morrem todos os dias no embrutecimento da selvageria, ou nas trevas da ignorância, sem que deles tenha dependido o se esclarecerem? 


620. Antes de se unir ao corpo, a alma compreende melhor a lei de Deus do que depois de encarnada?

“Compreende-a de acordo com o grau de perfeição que tenha atingido e dela guarda a intuição quando unida ao corpo. Mas os maus instintos do homem fazem com que ele frequentemente a esqueça.


621. Onde está escrita a lei de Deus?

“Na consciência.”


a) — Visto que o homem traz em sua consciência a lei de Deus, que necessidade havia de lhe ser ela revelada?

“Ele a esquecera e desprezara. Quis então Deus lhe fosse lembrada.”


622. Confiou Deus a certos homens a missão de revelarem a sua lei?

“Indubitavelmente. Em todos os tempos houve homens que tiveram essa missão. São Espíritos superiores, que encarnam com o fim de fazer progredir a humanidade.”


623. Os que têm pretendido instruir os homens na lei de Deus não se enganaram algumas vezes, fazendo-os frequentemente transviar-se por meio de falsos princípios?

“Certamente podem ter dado causa a que os homens se transviassem aqueles que não eram inspirados por Deus e que, por ambição, atribuíram-se uma missão que lhes não fora confiada. Todavia, como eram, afinal, homens de gênio, mesmo entre os erros que ensinaram grandes verdaes muitas vezes se encontram.”

Na segunda seção, o estudo avança sobre como o Criador faculta a todos os homens os caminhos para conhecer e assimilar a Sua lei. (⁠42:39) Embora todos tragam a intuição divina na alma, os maus instintos e o orgulho material na Terra fazem com que ela seja frequentemente esquecida ou desprezada. Por isso, ao longo da história, Espíritos Superiores encarnaram com a missão direta de atuar como instrutores e lembrar a humanidade sobre esses princípios reais. Na literatura espírita, Sueli resgata um conto comovente trazido por Chico Xavier que ilustra como o espírito mantém a sua real identidade e hábitos na dimensão espiritual após a perda do corpo físico. O bloco conclui de forma magistral, utilizando uma antiga lenda indígena para responder onde, afinal, Deus escondeu o Seu maior tesouro e a Sua lei eterna: não foi nas alturas ou nas profundezas dos oceanos, mas sim no imo de cada criatura, gravada de forma indestrutível na consciência.

O risco do Desequilíbrio: VIVER SÓ PARA O MUNDO


• Instabilidade emocional (o humor passa a depender de fatores externos: elogios, status etc); frustrações, sensação de vazio, ansiedade.


• Perda de sentido e propósito: Quando tudo gira em torno de “ter” e “parecer”, falta um “Porquê” mais profundo. 


• Relações superficiais (relações baseadas em interesse, aparência, futilidades, solidão – mesmo estando rodeados de pessoas. 


• Tendência ao Burnout (busca permanente de reconhecimento - Causa: exaustão física, mental e emocional; depressão) 


• Fragilidade da identidade (sem reflexão interna, a identidade se constrói a partir dos olhares dos outros; há necessidade constante de aprovação – causa: crise de identidade quando há críticas, dificuldade de lidar com negativas e fracassos gerando automutilação, transtornos alimentares, anorexia, obesidade, crises de pânico, dependência química etc


• Decisões desalinhadas com os valores mais nobres (excessivo individualismo, falta de empatia com a dor alheia, naturalização das injustiças e desigualdades humanas; crueldade.) 


• Dificuldade de lidar com adversidades (maior vulnerabilidade diante de perdas, rejeições ou mudanças, tendência de evitar ou negar problemas, em vez de enfrentá-los; irresponsabilidade social).

Viver exclusivamente para o "ter" e o "parecer" cobra um preço altíssimo da nossa saúde mental e espiritual. O desequilíbrio materialista nos empurra para a instabilidade emocional, para a exaustão do Burnout e para uma profunda solidão disfarçada em conexões virtuais vazias.

Sem uma base interna sólida, criamos identidades frágeis — como uma "geração cristal" que se quebra diante das mínimas críticas e frustrações da vida, abrindo espaço para crises de pânico, depressão e vazios existenciais.

Jesus não nos pede o isolamento do mundo, mas nos convida ao equilíbrio. A matéria é apenas o veículo temporário e a ferramenta de aprendizado; o destino do Espírito é a evolução.

Quando transferimos o peso da nossa felicidade para o Ser e não para o Ter, blindamos a nossa mente contra as ilusões da Terra e encontramos a verdadeira força para superar qualquer adversidade.

O que isso nos faz refletir? Quem somos nós?

• A Consciência: a voz de Deus dentro de nós.


Livro dos Espíritos

Q. 621- Onde está escrita a Lei de Deus?

- Na Consciência¹.


Q. 625- Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo?

- Vede Jesus.


(1) Descartes, na terceira de suas Meditações Metafísicas declara que a ideia de Deus está impressa no homem “como a marca do obreiro está impressa na sua obra.”

“...a lei de Deus está escrita na consciência do homem como a assinatura do artista na sua obra.”

Para não nos deixarmos arrastar pela onda do materialismo e do egoísmo, precisamos silenciar o mundo exterior e fazer um mergulho na nossa própria intimidade. Como nos ensina a Doutrina Espírita, a Lei de Deus está escrita na nossa consciência, gravada no ser como a assinatura de um artista na sua obra prima.

Dentro de nós reside a faísca divina e a força vital para superar todas as mazelas humanas. Para guiar os nossos passos nessa jornada de equilíbrio, Deus nos ofereceu Jesus como o modelo mais perfeito de amor, responsabilidade social e fraternidade.

Olhar para o Cristo é compreender que estamos no mundo, mas não somos do mundo. Quando escolhemos o amor ao próximo e a vigilância interna como guias, começamos a debelar as insatisfações da alma e a construir a verdadeira paz, caminhando com passos firmes em direção à nossa evolução inevitável.

A busca do equilíbrio


IMPORTÂNCIA DA VIDA ESPIRITUAL

• A matéria não é um fim, mas um meio necessário para crescimento do espírito.

• O espírito precisa da matéria para:

• Aprender através da experiência, evoluir pelo esforço, se aperfeiçoar pela dor e escolhas etc

• “A vida material é uma etapa indispensável do progresso do espírito”. (Léon Denis)


LIVRO DOS ESPÍRITOS

• Q. 166- A alma que não atingiu a perfeição durante a vida corpórea, como acaba de depurar-se?

-Submetendo-se à prova de nova existência.

• Q. 166-a – Como ela realiza essa nova existência? Pela sua transformação como espírito?

-Ao depurar-se, a alma sofre sem dúvida uma transformação, mas para isso necessita da vida corpórea.


VIVER NO MUNDO TAMBÉM É UM DEVER ESPIRITUAL

Minhas escolhas estão me afastando ou me aproximando de quem eu quero ser?


• Q. 674 – A necessidade do trabalho é uma lei da Natureza?  
- O trabalho é uma lei da Natureza, e por isso mesmo é uma necessidade. A civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta as suas necessidades e os seus prazeres. 


• Q. 675- Só devemos entender por trabalho senão as ocupações materiais?

- Não; o Espírito também trabalha, como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho.


• NÃO EXISTE VERDADEIRA VIDA ESPIRITUAL SEM UTILIDADE SOCIAL: EVOLUIR IMPLICA AGIR NO MUNDO, SERVIR E CONTRIBUIR.

A busca pelo equilíbrio exige compreendermos que a matéria não é o fim da jornada, mas sim a ferramenta indispensável para o progresso do Espírito. Como nos ensinam os Benfeitores no Livro dos Espíritos, a reencarnação é a escola justa onde nos depuramos através do esforço, da dor e das escolhas diárias.

Viver no mundo é um dever espiritual, e esse dever cumpre-se através da Lei do Trabalho. Mas o trabalho não se resume às ocupações materiais ou remuneradas; toda ocupação útil que serve ao próximo é trabalho. Desde a labuta social até o esforço silencioso e muitas vezes invisível de uma mãe no lar, cada ação no bem constrói a nossa bagagem imortal.

Não existe verdadeira vida espiritual sem utilidade social. Agir no mundo com empatia e transformar a fé em caridade prática é o que nos sintoniza com as leis divinas e torna a nossa caminhada na Terra mais leve e cheia de propósito.

CÉSAR É O CAMINHO; DEUS É O DESTINO

Diante das encruzilhadas da existência, o ensinamento do Cristo brilha como um mapa seguro: o mundo da matéria, representado por César, é apenas o caminho, a estrada temporária que cruzamos para aprender e evoluir.

No entanto, o nosso verdadeiro destino é Deus.
Concluir essa jornada com êxito exige um esforço diário de vigilância para que não permitamos que as ilusões e posses da Terra criem correntes que nos prendam ao orgulho e ao egoísmo. Daqui só levaremos o aprendizado útil da alma, as virtudes buriladas e a sinceridade do bem que estendemos ao próximo.

Inspirados no amor puro e abnegado que se doa sem nada pedir em troca, aprendamos a dar o peso relativo correto às coisas do mundo, entregando à Fonte Criadora o sentido real das nossas vidas e caminhando com os olhos fixos na felicidade imortal.

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